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12 março, 2011

Solidão...



Penso em ti, imagino-te a ti, que ainda não conheço, dedico linhas sem fim…
Em que musicas te perdes, em que ruas de pedra vagueias e a que marés contas as tuas magoas, se o céu que te cobre será o mesmo que me vigia… Se a adrenalina te apraz tanto como a mim, se te sentes vivo… Se sentes que existo… Se o sono que te adormece o corpo deixa vaguear a tua alma, como a minha e quem sabe, assim te encontre…

Estranha forma de vida esta que escolho, ao ter por companhia apenas sons… O som das vagas do mar, o som das musicas onde me perco e divago … Nelas encontro paz e significado… Delas queria a eterna companhia, e quando o dia vem, a minha alma entristece com todos aqueles que o sol desperta e chama á vida… Procuro abrigo neste meu castelo de mar em noites que te queria comigo… Aqui jazem as minhas memórias… Refugio-me por detrás do sorriso que embora sincero não está completo. Caminho sozinha e mesmo na melancólica agonia desta ansiedade que me consome por não saber o amanhã, parece-me tão mais fácil a doce despedida do que não deixo que se descubra… Dispo-me em palavras que parecem não fazer qualquer sentido juntas e nelas releio lágrimas que o passar do tempo secou…

Folheio cadernos onde há muito escrevi e escrevo sobre ti… Sobre mim…

Esquivo-me de tentativas de sedução de coisas que preferia não lembrar, esqueci-me de esquecer… Esqueci-me de amar… E quando o sentimento me invade, é tão fácil simplesmente entorpecer os sentidos com o veneno liquido, para assim não recordar a cobardia… Ou esquecer-me livremente de que talvez existas… Perdi anos em coisas fúteis que não me levaram a lado nenhum… E ainda assim, não digo não, apenas o dou a entender a quem me tenta desviar do caminho tortuoso que procuro seguir… Tortuoso mas puro. Estou comigo mesma, enfrentando dúvidas e medos que vou superando, consciencializando. Aprendi a disfarçar a tua ausência, aprendi a viver incompleta e alimentar-me das despedidas e de falsas ilusões que mantenho apenas porque alimentam o ego pois delas nada quero…

Sigo só… Sigo a luz que de mim fez sombra e neste caminho espero por ti, por um sinal de que existes, de que serás finalmente meu… Grito até que a voz se perca e não mais consiga respirar e apenas na esperança de te achar, em vida me prendo… Solto lágrimas que deixo na areia da praia para que ninguém as veja rolar na minha face…

Seria tão mais fácil alojar-me na companhia de um qualquer corpo estranho… Nele me perder em mais uma solitária noite… Mas sigo só… E aqui me dispo… Apenas tendo por companhia o luar desejando que fosse ele o teu olhar, o suave toque da brisa como se fosse ela as tuas mãos, esta minha praia como se fosse a areia teu corpo, as musicas em que me descrevo como se elas fossem tua voz e a certeza de que existes…

Dor dilacerante! Quero-te afogar no veneno liquido e no fumo doce que inspiro…

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